Menino mexendo com moedas que ele recebeu dos pais como mesada educativa.

Se você é pai ou mãe, já deve ter pensado ou ouvido sobre esse assunto, “mesada para seus filhos” ou “mesada educativa”, não é mesmo?!

Afinal, é bom dar ou não?

Qual a melhor idade para começar com isso?

Como calcular um valor bacana, que seu filho realmente se motive a conquistá-lo?

Quais condições devem ser ajustadas entre você e seus filhos para essa iniciativa funcionar de maneira positiva?

Devo dar mesada, “quinzenada” ou “semanada”?

Você deve orientar seu filho a guardar parte da mesada ou usar tudo?

Pelo que tenho conversado com amigos e ouvido em conversas, essas são perguntas que geralmente aparecem quando se toca nesse assunto.

Mas o que fazer? Existe um script perfeito para dar mesada ao seu filho?

Se você quer descobrir as respostas para pelo menos uma das perguntas acima, convido você a ler esse post até o fim, pois farei o possível para responder todas elas.

É bom dar mesada ou não?

Mesada Educativa Na Prática: Passo-a-Passo Completo Pra Aplicar Com Seus Filhos 1

Sim, na minha percepção isso é excelente, desde que o valor esteja condizente com a idade do seu filho (veremos isso mais adiante).

Digo isso porque crianças com até 6 anos de idade ainda não possuem noções numéricas muito desenvolvidas, ou seja, elas não sabem fazer relação entre pouco e bastante dinheiro.

Nessa idade, 6 anos, estão começando a aprender sobre números e tabuada na escola.

Por exemplo, para elas não há diferença entre uma nota de R$ 2,00 e uma nota de R$ 100,00, apenas a cor e o tamanho.

Para ilustrar um pouco mais essa percepção de mais e menos, se você colocar a mesma quantidade de suco em 2 copos diferentes, seu filho pensará que tem mais aquele copo no qual a marca de suco está mais para cima.

Mesada Educativa Na Prática: Passo-a-Passo Completo Pra Aplicar Com Seus Filhos 2

O mesmo pode ser feito com um copo de moedas. Faça o teste, coloque 30 moedas de R$ 0,10 em um copo e 5 de R$ 1,00 em outro e pergunte para seu filho qual ele quer.

Qual você acredita que ele escolherá, se tiver até 6 anos?

Em 80% dos casos será o copo mais cheio, mesmo que tenha menos valor em dinheiro (R$ 3,00 contra R$ 5,00).

Com isso, pouca diferença vai fazer se você falar que a mesada do seu filho será de R$ 10,00 ou de R$ 200,00, ele ainda não sabe tudo o que aquele dinheiro pode comprar.

Mas deixarei essas questões de valor e idade para um tópico seguinte aqui abaixo.

O importante de dizer aqui é que dar mesada é uma fantástica maneira de ensinar seus filhos a lidarem com o dinheiro.

E digo mais, a mesada não precisa ser necessariamente com dinheiro.

Já pensou nisso?

Pode ser dormir na casa dos avós, convidar um amigo para dormir na sua casa, ir no cinema, ou fazer algo que a criança goste.

Independente do que seja dado como “remuneração”, o fundamental é criar na mentalidade do seu filho o conceito de que se fizer as coisas que você considera certas para a educação dele, ele será recompensado.

A forma como irei orientar você a dar mesada para seu filho aqui abaixo irá criar esse sentimento de conquista na cabeça dele, além de formar os hábitos que você quer que ele adquira, e tudo de uma maneira tranquila e suave.

Mas antes…

Qual a melhor idade para começar com a mesada?

Mesada Educativa Na Prática: Passo-a-Passo Completo Pra Aplicar Com Seus Filhos 3

Não há idade mínima para começar a dar mesada, no entanto, até 4 anos a criança ainda não entende muito bem que o dinheiro pode ser trocado por coisas.

Com isso, o fato de você falar que vai dar dinheiro para ela pouco resultado vai gerar, pois ela não sabe o que fazer com ele.

Dos 4 até os 6, a criança começa a entender essa relação, que “dinheiro pode ser trocado por coisas”, mas ainda assim carece da percepção de valor, como já disse umas linhas aqui acima, ou seja, pensa que R$ 2,00 e R$ 10,00 têm o mesmo poder de compra.

Mas isso não quer dizer que você não pode trabalhar questões financeiras com seus filhos desde pequenos.

No entanto, pode-se abordar de uma outra forma, que acaba sendo mais eficiente nesse começo.

Para crianças até 4 anos

Crie um cofrinho da família e peça ajuda delas para guardarem as moedas que você conseguir no seu dia-a-dia.

Quando elas forem depositar o dinheiro no cofre, reforce à elas que vocês estão poupando para um objetivo futuro da família e, se possível, já diga qual é.

No momento que forem usar as moedas para comprar o que haviam definido, leve seus filhos junto com você para que as entreguem e percebam que o esforço de todos gerou um resultado, conquistaram o que queriam.

Isso começará a gerar uma mensagem mental na cabeça dos seus filhos de que dinheiro deve ser poupado e de que ele permite conquistar nossos objetivos.

Além disso, começará a construir também na cabecinha deles o hábito de saber esperar para que se tenha o que se quer.

E mais, mostrará que o esforço diário é capaz de construir resultados desejados ao longo do tempo.

Muito importante para crianças de qualquer idade: você precisa ser consistente, ou seja, estimular e reforçar o comportamento em seu filho regularmente para que ele crie as conexões necessárias e assimile bem o que você quer ensiná-lo.

Dos 4 aos 6 anos

Nessa faixa, além de dar continuidade ao que foi mencionado acima, peça ajuda do seu filho para contar o dinheiro quando vocês forem comprar algo.

Use esses momentos para desenvolver ainda mais as questões matemáticas dos pequenos.

E mais, incentive seu filho a trocar brinquedos ou qualquer outra coisa com seus amigos ou em eventos da comunidade.

Permita que ele tome decisões baseadas na percepção que ele tem de valor.

Isso quer dizer, deixe ele trocar um brinquedo que você pagou R$ 200,00 por um que você sabe que custa R$ 10,00. O importante é o que ele representa para seu filho.

Essa atitude fará ele dar valor para o que realmente importa e o dinheiro será apenas uma peça nesse quebra-cabeça.

Assim, você estará ensinando seu filho dominar o dinheiro, e não ser dominado por ele, fazendo com que tome decisões de acordo com sua vontade e não apenas pensando em questões financeiras.

Claro que por si só isso pode ser perigoso, afinal, se ele for sempre seguir sua vontade pode usar mais dinheiro do que tem.

Aí é que faz ainda mais sentido o cofrinho da família, para ele também saber poupar. E assim que começar a ganhar mesada de verdade, você ensinará ele a usar conscientemente o dinheiro.

A partir dos 7 anos

Daqui para frente seu filho já tem condição de receber dinheiro de verdade e aprender a utilizá-lo, sabendo do seu poder de compra e entendendo qualquer condição que você colocar para que ele receba o que for combinado.

E quanto mais ele crescer, mais conceitos vão sendo introduzidos, o valor vai aumentando e as condições também.

Quanto dar de mesada para seus filhos?

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Aqui eu inverto a pergunta para você: quanto você tem de dinheiro disponível para dar de mesada aos seus filhos?

Você sabe até quanto consegue pagar sem comprometer o equilíbrio financeiro da sua família?

Se você não sabe, sugiro você ler esse post e baixar essa planilha para começar a controlar suas finanças.

É fundamental que você tenha essa consciência antes de iniciar a prática da mesada, pois mais importante do que o valor a ser dado é a sua consistência em conseguir manter o hábito por um longo período.

Caso você dê dinheiro esse mês, não dê no mês que vem e volte a dar só no outro, não há consistência e sua tentativa de educar seu filho perderá a credibilidade.

Ele nunca saberá quando receberá dinheiro e isso fará ele não acreditar no processo.

Faz sentido?

Eu sei que você quer coisas mais práticas, valores de referência, e é isso que vou lhe passar isso aqui abaixo.

Como já mencionei aqui acima, acredito que até os 6 anos o fato de dar ou não mesada pouco vai interferir na educação financeira de seus filhos, pois só a partir dos 7 anos é que começarão a entender com um pouco mais de clareza para que ele serve.

Sendo assim, até os 6 anos eu indico trabalhar o dinheiro de outras formas que permitam construir uma mentalidade positiva na cabeça dos seus filhos, como as que mencionei anteriormente (cofrinho da família, contar dinheiro, trocar brinquedos).

Dos 7 aos 12 anos é muito interessante que você comece a dar valores fixos, periodicamente.

Como uma referência, por semana dê dinheiro igual a idade do seu filho, ou seja, se ele tem 7 anos receberá semanalmente R$ 7,00, o que dará R$ 28,00 por mês.

Se tem 10 anos, receberá R$ 10,00 por semana e R$ 40,00 no mês.

Se na sua percepção isso for pouco, multiplique o valor semanal por 2.

Caso ainda assim pense que é pouco, não aumente.

Nessa construção de hábitos financeiros é importante que você vá aos poucos, inclusive para que em algum momento falte dinheiro e eles tenham que conviver com essa “frustração”.

Uma outra situação que você pode enfrentar é se você tem, por exemplo, 3 filhos (ou 2 ou 4 ou quantos forem, mais de 1) nessa faixa de idade, dos 7 aos 12.

Pode ser que o valor a ser dado de mesada para todos eles desequilibre suas finanças.

Para resolver isso, defina um orçamento para mesada e a distribua para seus filhos proporcionalmente à idade de cada um deles.

Por exemplo, você tem 3 filhos, de 7, 8 e 10 anos, e define que disponibilizará para mesadas o valor de R$ 200,00.

Para encontrar quanto cada um receberá por mês, some a idade de todos (nesse caso 7+8+10=25), divida a idade de cada um pela soma (que é 25).

Assim, o de 7 dará 7÷25=0,28, o de 8 dará 8÷25=0,32 e o de 10 dará 10÷25=0,40.

Então, multiplique cada número desses pelos R$ 200,00.

O de 7 anos receberá 0,28 x R$ 200,00 = R$ 56,00 no mês, que é igual a R$ 14,00 por semana.

O de 8 anos receberá 0,32 x R$ 200,00 = R$ 64,00 no mês, que é igual a R$ 16,00 por semana.

O de 10 anos receberá 0,40 x R$ 200,00 = R$ 80,00 no mês, que é igual a R$ 20,00 por semana.

Feito isso, junte seus filhos, e seu(sua) companheiro(a), e explique como definiu os valores e porque são diferentes.

Um dos motivos pode ser porque quanto maior eles são, mais ajudarão nas tarefas de casa e merecem receber mais por isso, pois assumem mais responsabilidades.

Isso fará com que eles entendam a relação de que quanto mais quiserem ganhar, mais responsabilidades terão que assumir.

Se pensarmos no mundo empresarial, é assim que funciona, certo?

Pela minha experiência e pelo que vejo dentro das empresas é exatamente assim, quem assume mais responsabilidades acaba conquistando posições de maior destaque e é mais bem remunerado por isso.

Veja só o que você já está construindo na cabeça do seu filho.

Com apenas 7 anos ele já começa a entender que existe uma forma de ganhar mais, caso ele queira, que é assumindo responsabilidades.

Isso é fantástico, pois coloca a responsabilidade sobre o sucesso financeiro dele nas mãos dele mesmo.

Muito importante: à medida que seus filhos forem crescendo, você precisará oferecer à eles novas responsabilidades para que tenham a possibilidade de ganhar mais.

Caso algum deles não queira, respeite, afinal, nem todos querem apenas dinheiro.

Por isso, entendendo que nem todos são motivados pelo dinheiro, é fundamental que você tenha outras formas de recompensá-los pelo esforço e pelas responsabilidades que assumem.

E é sobre isso que falarei no tópico aqui abaixo.

Qual a melhor forma de recompensar seus filhos?

Mesada Educativa Na Prática: Passo-a-Passo Completo Pra Aplicar Com Seus Filhos 5

Dinheiro é uma boa forma?

Com certeza, pois quando forem adultos grande parte do trabalho que fizerem será recompensada com dinheiro.

Mas é a única?

De forma alguma.

Pegando o exemplo da minha sobrinha (Larissa), há alguns anos a minha cunhada queria que ela, na época com 8 anos, adquirisse alguns hábitos diários que ajudariam na rotina da casa e na saúde da Lari.

Esses hábitos eram: se arrumar sozinha para a escola; arrumar o seu quarto; comer frutas e verduras.

Para cada um desses 3 hábitos foi definida uma recompensa diferente.

Todo dia que ela se arrumava sozinha para ir à escola ela ganhava 1 ponto. Juntando 7 pontos ela ganhava a possibilidade de convidar uma amiga para dormir em sua casa (algo que ela gostava muito de fazer).

Todo dia que ela comesse uma fruta e uma verdura ela ganhava 1 ponto. Juntando 10 pontos ela ganhava uma ida na piscina (algo que ela gostava muito de fazer).

Todo dia que ela arrumasse seu quarto ela ganhava 1 ponto. Juntando 7 pontos ela ganhava R$ 10,00 (algo que ela gostava muito de receber).

Veja que incrível, para cada hábito que minha sobrinha adquiria ela era recompensada com algo que gostava muito.

Isso gerava motivação para ela fazer o que minha cunhada desejava e todas acabavam felizes, sendo atendidas.

Por isso eu digo, recompense seu filho não apenas com dinheiro, mas com coisas que ele gosta de fazer também, seja convidar um amigo para dormir na sua casa, jogar bola, brincar com os amigos, ir no cinema, etc.

Inclusive, pergunte para ele qual a recompensa que ele deseja para determinada responsabilidade que você quer que ele assuma.

Essa construção conjunta é sensacional para ambos os lados.

Mas tenha isso em mente…

Para que você tenha os resultados que quer, seja seu filho adquirir um novo hábito ou assumir uma nova responsavilidade, SEU PAPEL É FUNDAMENTAL.

Primeiro você, seu(sua) companheiro(a) e seu filho precisam definir “as regras do jogo”.

Qual é o hábito ou a responsabilidade a ser adquirida?

Qual será a recompensa?

Como seu filho conseguirá a recompensa?

Como será avaliado o progresso?

Em segundo lugar, diariamente vocês devem, todos juntos, analisar como foi o progresso do dia e pontuar o comportamento do seu filho.

  • Se ele fez o que era esperado, parabenize-o, reforce seu comportamento e já demonstre que isso o aproxima da recompensa (no caso da minha sobrinha, ela ganhava 1 ponto, representado por um palito colocado em cada cestinha do cartaz);
  • Se ele não fez o que era esperado, pergunte o que o impediu de fazer e o que é necessário para que ele o faça no dia seguinte (aqui você conseguirá possíveis barreiras que não eram esperadas e que você precisará ajudar).

Muito importante: não fiquem querendo encontrar culpados pelo fato do seu filho não ter feito o que se esperava dele, e nem duvidando da capacidade dele de conseguir fazer o que se quer. Apenas deem apoio e o ajudem no que for necessário.

A verdade é que…

A melhor forma de recompensar seus filhos é por meio do REFORÇO POSITIVO.

Isso não sou eu quem diz, é a psicologia.

Reforço positivo é quando você reconhece que alguém fez algo da forma como você esperava e, então, você demonstra isso como uma forma de incentivo, seja com um gesto ou com palavras.

Por exemplo: combinei com meu filho que ele deveria se arrumar sozinho para ir à escola (desde que ele tenha idade para isso). Quando chego em casa eu percebo que ele se arrumou e então eu digo: “Caramba filho, que sensacional, você já se arrumou para ir à escola bem como havíamos combinado. Parabéns pela iniciativa e agradeço por você ter cumprido o combinado.”

Enquanto digo isso abraço meu filho.

Qual a chance do seu filho não gostar desse reforçamento?

Qual a chance de você não gostar de alguém fazendo isso contigo quando faz o que se espera, ou mais?

Como se sente quando isso acontece?

Pois é, muito possivelmente seu filho se sente da mesma forma, SE SENTE CAPAZ, AMADO E MUITO FELIZ.

Mesmo sendo essa a melhor forma de fazer outras pessoas adquirirem hábitos e responsabilidades, não é o que vemos sendo divulgado por aí, principalmente relacionado a esse tema de “mesada para filhos”.

Numa pesquisa rápida que fiz no Google por imagens de “modelos mesada para filhos” (veja você mesma(o)), praticamente todos os modelos trabalham com foco na punição.

A punição é a forma mais difundida por aí e é uma péssima maneira de trabalhar com seus filhos, seja com dinheiro ou com qualquer outra coisa.

Como ela funciona? Veja você mesmo na imagem abaixo.

Mesada Educativa Na Prática: Passo-a-Passo Completo Pra Aplicar Com Seus Filhos 6

Repare bem na parte de cima da figura, está escrito “MESADA EDUCATIVA”. Passa bem longe disso.

Na relação de comportamentos avaliados, só tem coisas negativas, ou seja, que a criança não deve fazer.

E caso faça alguma dessas coisas, perderá R$ X,XX.

Ok, faço uma pergunta: o que esses pais querem que a criança faça? Consegue enxergar isso na tabela?

Só tem não, não, não e coisas negativas.

Qual será o sentimento do seu filho ao saber que ele pode perder dinheiro se fizer algo que está escrito ali? Motivação ou medo?

Claro que é medo.

Por que a maioria das pessoas não rouba? É por medo de ser punido e não pela motivação em ser honesto.

A diferença é muito sútil, mas exerce uma influência enorme nos nossos comportamentos e na nossa postura diante da vida.

Como seria o futuro do seu filho se você educasse ele para lidar com o dinheiro pelo medo, pela punição? E qual o sentimento que ele desenvolveria em torno do dinheiro nessa situação?

Deixo para você pensar.

Só lhe digo uma coisa, baseado na psicologia – que estuda o funcionamento da mente humana -, a punição é de longe uma das piores formas de educação.

Por isso quero que você esqueça essa imagem acima e se concentre no que vou lhe dizer agora.

Como dar mesada aos filhos por meio do reforço positivo?

Mesada Educativa Na Prática: Passo-a-Passo Completo Pra Aplicar Com Seus Filhos 7

Assim como no exemplo da minha sobrinha que mencionei anteriormente aqui nesse post, acredito que a melhor forma de dar mesada aos seus filhos utilizando o reforço positivo é condicionar o recebimento do dinheiro à algum comportamento ou responsabilidade que você deseja que eles assumam.

Isso é o que considero mesada educativa.

Por exemplo, falar para seu filho que ele receberá R$ 10,00 se conseguir se arrumar sozinho para ir à escola por 7 vezes.

Cada dia que ele conseguir executar esse comportamento você dá 1 palito para ele, e quando ele juntar 7 poderá trocar contigo pelos R$ 10,00.

Pode ser um palito ou qualquer outro objeto que você queira utilizar e que seja uma representação visual do ponto que você o está dando.

Isso tangibiliza o reforço positivo que você está empregando e torna possível ele verificar quantos já têm e quantos ainda falta para conseguir o “prêmio”.

Se for possível deixar isso à vista, como foi feito na casa da minha cunhada, melhor ainda, pois aumentará ainda mais a motivação para conseguir acumular o suficiente para os R$ 10,00.

E aqui você pode dar um passo à mais e tornar essa “brincadeira” ainda mais interessante.

Diga para seu filho que se ele conseguir realizar o hábito que você quer por 21 dias seguidos, sem falhar nenhum, ele receberá um bônus de mais R$ 10,00.

Olha só que fantástico o que você está construindo na cabeça do seu filho, aquisição de novos hábitos de uma maneira divertida, desafiante e recebendo suporte e incentivo dos pais.

Coloco essa questão dos 21 dias seguidos porque diversos estudos apontam que é necessário executarmos um mesmo hábito 21 vezes seguidas para enraizarmos ele em nossa mente e ele tornar-se natural em nosso dia-a-dia.

Isso quer dizer que muito provavelmente depois desses 21 dias seu filho estará se arrumando sozinho para ir à escola sem qualquer necessidade de você pedir, como algo natural para ele.

Mas não pense em já cortar a mesada. Espere pelo menos uns 3 ciclos de 21 dias para então, em conversa com seu filho, mudar o hábito relacionado ao recebimento da mesada.

Para mim, essa é a forma mais eficiente de dar dinheiro para seu filho, pois você está o ensinando a se esforçar pelo que quer e a saber esperar para receber o que foi combinado.

Caso tenha outros hábitos que você queira que seu filho adquira, condicione-os à outros prêmios e siga exatamente o mesmo script.

A quantidade de pontos para conseguir o que se deseja pode ser definida por você, assim como os “bônus”, o importante é que tudo esteja muito claro para todos os envolvidos e haja um acompanhamento periódico.

Como dica, comece com no máximo 3 hábitos a serem introduzidos na rotina dos seus filhos.

Se colocar mais que isso eles podem ficar perdidos com tanta coisa ou você pode não conseguir controlar tudo.

Sedimente bem esses 3 para depois partir para outros.

Muito importante: quando seu filho fizer o que você espera, quanto mais rápido você conseguir reforçar o comportamento melhor. Estudos demonstram que isso incentiva ainda mais seu filho a repetir esse comportamento.

Se não for possível reforçar logo que seu filho faz o que você espera, quando o for fazer deixe bem claro o comportamento que está sendo parabenizado para que ele não associe o reforço com outra coisa que fez.

Agora que você já sabe que é bom dar mesada, sabe a idade para começar a praticá-la, quanto dar e a melhor forma para fazer isso, quero expor para você apenas mais duas coisas: qual a frequência de pagamento da mesada e como orientar o uso desse dinheiro pelo seu filho.

Qual a frequência de pagamento da mesada?

Mesada Educativa Na Prática: Passo-a-Passo Completo Pra Aplicar Com Seus Filhos 8

Caso você esteja seguindo a estratégia que lhe apresentei acima, de atribuir pontos para cada vez que seu filho fazer o que você quer, pague a mesada sempre que ele juntar a quantidade de pontos necessária.

Se você preferir seguir outro caminho, de efetuar o pagamento sem o acompanhamento por pontos, nos 3 primeiros meses faça toda semana.

Principalmente se seu filho está perto dos 7 anos, pois ele ainda não tem muita capacidade de enxergar à longo prazo, acima de 3 semanas.

Para ele, pensar em receber dinheiro apenas 1 vez por mês parece muito distante e não o motiva à fazer o que for necessário para consegui-lo.

Mesmo que você trabalhe com pontos, defina quantidades de até 10 pontos para trocar pela mesada, pelos mesmos motivos citados acima.

A partir do 3º mês que a família já se acostumarou com a mesada, pode-se ampliar a frequência de pagamento para quinzenal, ou aumente a quantidade de pontos necessários para a troca.

Isso fará seu filho ter que planejar o uso do dinheiro para aguentar 2 semanas, ou ficará sem.

Mantenha essa nova periodicidade por mais 3 meses, e então aumente para 3 semanas entre um pagamento e outro.

Siga essa nova rotina e após 3 meses passe para a mesada propriamente dita, ou seja, dar dinheiro apenas 1 vez por mês.

Independente se você está pagando “semanada”, “quinzenada” ou mesada, sempre mantenha o olho no valor mensal que você está dando para seu filho.

Se vocês acordaram que o valor da mesada será de R$ 100,00 por mês, faça o seguinte:

  • Nos 3 primeiros meses você paga R$ 25,00 por semana;
  • Nos próximos 3 meses você paga R$ 50,00 por quinzena;
  • Nos próximos 3 meses você paga R$ 75,00 a cada 3 semanas;
  • Depois disso você paga R$ 100,00 por mês.

Lembrando que a mesada pode aumentar de acordo com a idade do seu filho e com as responsabilidades que for assumindo.

Como orientar seus filhos sobre o uso da mesada educativa?

Mesada Educativa Na Prática: Passo-a-Passo Completo Pra Aplicar Com Seus Filhos 9

Pois bem, por fim, sua família toda seguiu todas as orientações que passei aqui acima e agora seus filhos estão com dinheiro na mão.

O que devo orientar eles a fazer?

O caminho é muito semelhante à metodologia dos potes que compartilho aqui nesse post, apenas com pequenas alterações.

Na gestão financeira de uma família, o dinheiro deve ser dividido da seguinte maneira, seguindo o método de T. Harv Eker:

  • 10% poupado para sua Liberdade Financeira;
  • 10% poupado para sua Poupança de Longo Prazo, ou seja, seus objetivos e sonhos;
  • 10% investido em aperfeiçoamento profissional e pessoal;
  • 10% investido em diversão e lazer;
  • 5% disponibilizado para doação; e
  • 55% para as necessidades diárias da família.

No caso dos seus filhos, a divisão ficará um pouco diferente, pois eles não devem usar o dinheiro para contas da casa e nem para educação, isso é responsabilidade dos pais.

Com isso, quando você começar a dar a mesada, oriente uma divisão da seguinte maneira:

  • 60% para seus objetivos de curto-médio prazo (algo que ele quer comprar e com uma mesada só não dá);
  • 40% para diversão e lazer (para a criança usar como quiser).

Exemplificando, se seu filho ganha R$ 100,00 por mês de mesada, a distribuição entre os potes ficará assim:

  • R$ 60,00 para poupar com o objetivo de comprar algo que deseja;
  • R$ 40,00 para usar como quiser.

Depois que você já estiver dando mesada há pelo menos 12 meses e seus filhos já tiverem com 12 anos ou mais, sugiro mudar a divisão dos potes para:

  • 50% para seus objetivos de curto-médio prazo (algo que ele quer comprar e com uma mesada só não dá);
  • 35% para diversão e lazer (para a criança usar como quiser);
  • 10% para o desenvolvimento deles (comprar livros, participar de eventos que gostam, investir naquilo que o atraem);
  • 5% para doação (ajudar o próximo como forma de retribuir o dinheiro que tem recebido).

Indico começar essa divisão após os 12 anos porque as crianças já vão ter mais facilidade pra entender esses 4 potes e gerenciar tudo isso.

Dessa forma, você vai estar fazendo com que o controle financeiro dentro da metodologia do T. Harv Eker, que mencionei acima, seja algo natural na vida adulta deles.

Uma dica bacana: ajude seus filhos a definir os objetivos, a pesquisar quanto eles custam e também a planejar como conseguirão comprar.

Tenho certeza que eles adorarão sua ajuda.

Por fim…

Resumo da mesada educativa

De uma maneira bem breve, vou resumir tudo o que foi compartilhado contigo nesse post.

  1. É muito importante que você dê mesada aos seus filhos quando estiverem na idade certa, e desde pequenos já trabalhe a mentalidade financeira deles, mostrando sempre que o dinheiro é um aliado na nossa vida;
  2. A melhor idade para começar a dar mesada é a partir dos 7 anos, porém, isso não impede que você trabalhe questões financeiras com seus filhos desde pequenos;
  3. A quantia a ser dada deve ser proporcional à idade da criança e dentro da possibilidade da família, sempre presando pelo equilíbrio financeiro de todos;
  4. A melhor forma de dar mesada é por meio do REFORÇO POSITIVO, no qual você premia e reconhece quando seu filho faz o que você espera dele. Evite utilizar a punição para educá-lo;
  5. A frequência de pagamento da mesada deve começar sendo semanal e ir gradativamente (a cada 3 meses) aumentando até chegar na mensal;
  6. Ensine seu filho a gerenciar o dinheiro em potes, colocando 60% de tudo o que ganha para algum objetivo futuro e 40% para usar como quiser, no presente.

Agradeço por ter chegado até aqui e espero, de coração, que todo o conhecimento que coloquei nesse post sirva à você de alguma forma.

Se você ficar com alguma dúvida, tiver alguma consideração a fazer ou quiser compartilhar alguma experiência que já teve com mesada, fique à vontade para comentar aqui abaixo.