Quadro negro com o ABC, indicando o início da alfabetização, que nesse post é alfabetização financeira.

Quando é a hora certa de iniciar a alfabetização financeira das crianças?

Como ensinar seus filhos a lidarem com o dinheiro de uma forma saudável e livre?

Pegando uma frase de uma grande referência na área de educação financeira pessoal e familiar aqui no Brasil, o Gustavo Cerbasi, ele diz que: “muitos pais ainda ignoram esse processo de educação financeira com suas crianças. Para eles, dinheiro seria “coisa de adulto” e assunto proibido para os pequenos.”

Será mesmo “coisa de adulto”?

Reconheço que essa questão de ensinar seus filhos a lidarem com o dinheiro, o que chamo de alfabetização financeira, é algo controverso.

A maioria dos pais sabe que é importante, mas não existe unanimidade em como isso deve ser feito ou se realmente deve ser feito.

Eu, e muitos outros especialistas da área, considero que a educação financeira infantil é a base para criarmos filhos mais conscientes, mais seguros e que, na vida adulta, saberão como controlar o dinheiro e extrair o melhor que ele pode dar.

Pense agora, como teria sido sua vida se teus pais, ou quem te criou, tivessem te ensinado sobre o dinheiro e proporcionado uma educação financeira quando você ainda era criança?

Pois bem, se você quer que seus filhos tenham uma vida financeira tranquila, saudável e independente, leia o que vou compartilhar contigo nesse post.

Mesmo não havendo unanimidade no que vou te expor, saiba que embasei cada tópico no processo de desenvolvimento infantil, justamente para levar para você dicas que realmente podem gerar resultados positivos e são adaptadas a cada fase de desenvolvimento das crianças.

Mas antes, quero te fazer uma pergunta: qual é a melhor forma de educar seus filhos financeiramente?

A MELHOR forma de fazer a alfabetização financeira dos seus filhos

Crianças prontas para aprender, sabendo que a melhor forma de fazer sua alfabetização financeira é pelo exemplo dos pais.

Segundo diversos estudiosos e pesquisadores da educação infantil, a forma mais poderosa de ensinar seus filhos é pelo EXEMPLO.

Seja pelos pais ou por quem tem a maior interferência na vida da criança, o exemplo que é passado exerce um papel decisivo no futuro dela.

Não adianta você fazer um discurso maravilhoso para seus filhos e, na prática, fazer exatamente o contrário.

Crianças têm uma enorme capacidade de identificar incoerências.

Garanto que você viu ou já passou por uma situação semelhante à essa: você escuta seu filho, por exemplo, gritando com alguém e fala imediatamente: “filho, não grite com os outros”.

Dias depois ele te pega gritando com alguém e fala: “mamãe (papai), lembra que não se pode gritar com os outros?”

Pois é, ela pegou sua incoerência e está a jogando na sua cara.

Portanto, com crianças não vale aquele famoso ditado “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.

Com elas tem que ser “faça o que eu digo e o que eu faço”.

Então, se você realmente quer que seus filhos saibam lidar bem com o dinheiro, que o processo de alfabetização financeira seja efetivo em suas vidas, permitindo que esse recurso seja sempre abundante e suficiente, é fundamental que você dê o exemplo.

Aqui abaixo vou te dar algumas dicas que podem te ajudar nesse caminho.

Como se tornar um bom exemplo para os filhos

1) Se faça perguntas

Primeiro, se faça a seguinte pergunta: “O que eu quero ensinar para meus filhos?”

Anote todas as respostas que vierem na sua cabeça.

Depois pergunte-se: “Por que eu quero ensinar essas coisas à eles?”

Anote as respostas.

Então, se questione: “Eu já adquiri e aplico na minha vida esse conhecimento ou habilidade que quero desenvolver em meus filhos?”

Se a resposta for sim, perfeito, comece a transmitir o ensinamento desejado e demonstre como isso mudou sua vida.

Se a resposta for não, então você tem que voltar a atenção para você e descobrir “como eu posso aprender e aplicar na minha própria vida esse conhecimento que quero passar para eles?”

Assim que você responder esse último questionamento, realmente partir para a ação e absorvê-lo em sua rotina, ficará muito mais simples e coerente de repassar o que quiser aos seus filhos.

E mais, além de conseguir realmente ensinar os pequenos, você poderá colher os resultados desses novos hábitos e ensinamentos que foram absorvidos na sua própria vida.

Vamos ao exemplo: supondo que você queira ensinar seus filhos a pouparem dinheiro, mas ainda não consegue guardar qualquer quantia para você ou para a família.

Primeiro você terá que incluir esse hábito de POUPAR na sua própria vida.

Vai começar aos poucos, com pequenas quantias, planejando no que o dinheiro será futuramente utilizado e percebendo a disciplina e o comprometimento exigido até conquistar seu objetivo.

Quando for passar isso aos seus filhos você terá a vivência e poderá orientá-los com muita segurança em cada fase que eles forem passar.

Isso faz sentido para você?

2) Trabalhe você mesma(o)

Considero que “fazer perguntas” para si mesma(o) é um dos melhores caminhos para você se tornar um bom exemplo.

No entanto, quero te oferecer outras possibilidades por meio de algumas atividades que irão mexer com você em três frentes: seus PENSAMENTOS, seus SENTIMENTOS e seus COMPORTAMENTOS em relação ao dinheiro.

Conseguindo alinhar esses 3 pontos você com certeza terá muita facilidade em fazer a alfabetização financeira adequada para seus filhos.

Para esclarecer o porquê de trabalhar esses 3 tópicos, pensamentos, sentimentos e comportamentos, algumas linhas terapêuticas e psicológicas acreditam que todos os resultados que você tem em sua vida seguem o fluxo apresentado aqui abaixo.

Alfabetização Financeira: Como Ensinar Seus Filhos A Lidarem Com O Dinheiro 1

Esse é o caso da Programação Neurolinguística (PNL), que enxerga que é nos nossos pensamentos que encontramos a origem para nossos resultados visíveis.

Fazendo uma analogia mais simples de ser entendida, é “como se” a qualidade dos frutos de uma árvore fosse determinada pela capacidade e qualidade de suas raízes.

Raízes fracas e pouco desenvolvidas gerariam frutos doentes e pouco saborosos.

Raízes fortes e bem desenvolvidas gerariam frutos saudáveis e bem saborosos.

Faz muito sentido, não é?!

Pois bem, como eu quero proporcionar mudanças reais para sua vida e não ficar apenas na teoria, disponibilizo aqui para você um arquivo com 3 exercícios para você fazer e que irão trabalhar exatamente seus PENSAMENTOS, SENTIMENTOS e COMPORTAMENTOS relacionados ao dinheiro.

Vão preparar sua vida para você conseguir lidar melhor com o dinheiro e permitir que você seja um EXCELENTE exemplo para seus filhos.

Clique aqui para baixar os materiais.

Como ensinar seus filhos a lidarem com o dinheiro na prática

Para um ensinamento dar certo, é preciso que ele seja mostrado na prática. Isso vale para a alfabetização financeira.

Agora que você já passou por esse realinhamento interno vamos aos exercícios práticos para a alfabetização financeira dos seus herdeiros.

Para deixar o material mais didático e respeitando as fases de desenvolvimento infantil, separei os exercícios em duas partes: 1) crianças de 0 a 6 anos e 2) crianças de 6 a 12 anos.

Assim, você pode ir direto para a fase na qual seus filhos se encaixam.

Claro que se você nunca proporcionou uma educação financeira para eles, sugiro dar uma olhada em todas as partes para realmente começar do básico e ir avançando.

Como uma criança que aprender a escrever. Ela não consegue escrever palavras inteiras logo de cara. Ela precisa aprender a desenhar as letras para depois começar a juntá-las e a formar palavras.

É por isso que chamo de processo de alfabetização financeira.

Exercícios para crianças de 0 a 6 anos

Nessa fase do desenvolvimento infantil as crianças estão concentradas nas sensações e nos movimentos.

Estão interessadas em pegar coisas, apalpar, aprender pelo contato.

Começam a ter noção de causa-efeito, ou seja, “se eu fizer isso vai acontecer aquilo”, e possuem uma curiosidade difícil de ser saciada (por quê?).

Gostam muito de repetições e já começam a copiar o comportamento de pessoas do seu entorno.

É aqui nessa fase, também, que se forma a maior parte da personalidade dos seus filhos. Portanto, é o momento ideal para iniciar a alfabetização financeira deles.

Depois dos 6 anos ainda é possível, porém, torna-se mais trabalhoso.

Por tudo isso, nessa primeira infância a abordagem financeira deve ser muito básica e repetitiva, com muito cuidado para o que se é falado por causa, exatamente, da formação da personalidade.

Para isso, indico os seguintes exercícios:

1. Falar sobre o dinheiro de forma positiva

Essa dinâmica pode ser utilizada até mesmo quando o bebê ainda está dentro da barriga da mãe.

Pois é, estudos indicam que as crianças começam a aprender ainda enquanto estão no processo de gestação.

Por isso, ganhe tempo e comece a falar sobre esse recurso (dinheiro) o quanto antes.

Não pense que fazendo isso você irá tornar seu filho ganancioso e que ele só vai pensar em dinheiro.

Você está apenas introduzindo um tema importante e necessário para a vida da maioria das pessoas.

Desde que meu filho nasceu sempre que eu tinha oportunidade eu comentava sobre o dinheiro com ele.

Falava que “o papai vai trabalhar para gerar valor para as pessoas e ser retribuído com dinheiro” ou que “eu ia gerar dinheiro para podermos conquistar nossos sonhos”.

Quando ele começou a sentar, por volta de 6 meses, e mexer na minha carteira, deixava ele pegar no dinheiro, nos cartões e ia dando informações como “dinheiro faz a vida mais divertida”, “dinheiro serve para realizarmos nossos sonhos”, “podemos gerar a quantidade de dinheiro que queremos”, etc.

Alfabetização Financeira: Como Ensinar Seus Filhos A Lidarem Com O Dinheiro 2

Sempre que íamos à algum lugar comprar alguma coisa eu deixava ele pegar o cartão ou o dinheiro e pagar a compra, explicando que estávamos passando dinheiro para aquela pessoa em troca de algo que queríamos ou precisávamos.

Simplesmente dando informações para tornar o dinheiro algo bom e comum como tantas outras coisas.

Em casal, caso haja problemas financeiros, expor eles de forma tranquila e com o foco em encontrar uma solução para sair dessa situação.

Assim, seu filho vai entender que problemas existem, mas que são possíveis de serem superados.

Tudo isso faz sentido para você?

Não importa se seu filho ainda não fala ou você pensa que ele não entende, converse sobre o dinheiro (e sobre tudo o que quiser) mesmo assim.

A mensagem ficará gravada e a mente dele ficará muito mais preparada para absorver mais informações à medida que ele cresce.

2. Criar um cofrinho para seus filhos

Principalmente depois que eles já completaram 1 ano.

Eles gostam de rotinas e adoram brincar com pequenos objetos.

Compre um cofrinho (de preferência que não seja um porquinho) e ensine eles a guardar moedinhas.

Sempre que eles guardarem uma sozinho comemore muito e os parabenize por isso.

Essa sua atitude gera um reforço positivo e faz com que a criança queira fazer isso de novo.

Com o tempo, ela vai absorver esse hábito de guardar dinheiro e também vai dar uma motivação a mais para ela guardar a moeda ao invés de colocar na boca.

Você se beneficia de duas formas diferentes.

Mas lembre-se de permitir e incentivar que seus filhos usem parte do dinheiro com eles de vez em quando, seja para comprar um doce ou algum brinquedo que eles queiram.

Isso faz com que no futuro eles não queiram só guardar, e acabem se tornando “mãos de vaca”, mas também saibam que dinheiro é para ser usado para melhorar a vida deles.

3. Definir o significado do dinheiro

Quando seus filhos chegarem aos 3 anos, você já pode começar a mostrar a diferença entre uma nota e uma moeda.

Pode pedir para eles descreverem o dinheiro da forma que eles o compreendem.

E você, mãe ou pai, pode começar a definir para eles o que é o dinheiro e para que serve.

Nessa fase, a partir dos 3 anos, as crianças já conseguem compreender melhor aspectos mais invisíveis e a formar imagens mentais do que aprendem.

Repita isso de vez em quando e esteja atenta(o) para verificar como a percepção deles pode mudar ao longo do tempo.

4. Testar a paciência do seu filho

Quando a criança chega aos 4 ou 5 anos, é importante você intensificar o ensinamento da paciência.

Elas ainda são muito egoístas e imediatistas, mas para o bem delas é necessário desenvolver a habilidade de saber esperar.

Defina os limites e seja firme.

Por exemplo, para não dar brinquedos sempre que seus filhos pedem, defina datas específicas na qual eles os ganharão. Aniversário, Natal, etc.

Doces? Só depois de fazerem algum comportamento positivo que você quer ensiná-lo.

Coisas simples, do dia-a-dia, e que podem ser excelentes professores para ensinarem elas a esperar.

Aqui em casa estávamos com um pouco de dificuldade de fazer o Léo usar o vaso para fazer cocô.

Falamos para ele que toda vez que fizesse o cocô no vaso ele ganharia uma balinha e em 2 dias tudo estava resolvido e já não era mais necessário usar fralda durante o dia.

Só cuidado, jamais dê a desculpa de que “mamãe (papai) está sem dinheiro para comprar” se essa não for a verdade. Seja sincero e fale o que realmente é.

Lembra da incoerência? Se disser que não tem dinheiro e depois comprar algo para você, ela vai perceber, mesmo que inconscientemente, e vai começar a formar o conceito de que “mamãe (papai) é mentirosa(o)”.

Muito cuidado.

Atenção!

Esse momento de ensinar seus filhos a esperarem também torna-se uma oportunidade para ensiná-los a se planejar.

Quer um brinquedo? Então fale para eles “filho, nesse momento eu não vou comprar, mas que tal fazer um plano de guardar 3 moedinhas por dia para comprarmos ele daqui 30 dias?”

Qual você imagina que vai ser a resposta deles? Confio que será “sim”.

Escolha um pote que tiver em casa, escreva o nome do brinquedo num pedaço de fita crepe e cole no vidro pelo lado de fora.

Dê as 3 moedinhas para eles todos os dias e garanta que consigam o valor no final do mês, sem você ter que inteirar nada.

Perceba que fantástico, eles vão comprar algo pelo próprio esforço e vão saber que são capazes de poupar.

Os reflexos disso na vida adulta serão FANTÁSTICOS.

5. Hora de comprar coisas

A partir do momento que seus filhos adquiriram o hábito de poupar no cofrinho e já tiverem vontade de comprar algumas coisas, pode começar a permitir que usem o dinheiro com coisas que eles querem.

Nesse momento, de comprar algo, incentive-os a contar o dinheiro antes de pagar.

Ajude a contar as moedas e as notas para que eles percebam a quantidade necessária para comprar, muitas vezes, uma coisa que vale R$ 5,00.

Aproveite e reforce alguns comportamentos, dizendo: “Uau filho, olha quanto dinheiro você conseguiu guardar. Parabéns!” ou “Filho, parabéns por ter conseguido poupar seu dinheiro para comprar o que você quer.”

Isso fará eles começarem a valorizar cada centavo e entenderem a importância do dinheiro.

E mais, irá os ajudar com matemática, por mais básica que ainda possa parecer.

6. Decisões com base na percepção de valor

Permita que seus filhos, nessa fase de 0 a 6 anos, tomem decisões com base na percepção de valor que eles têm das coisas.

Por exemplo, se num determinado dia seu filho quiser trocar com um amigo um brinquedo que “custou” R$ 200,00 por um de R$ 10,00 que ele considera mais interessante, deixe que troque.

O que está em jogo para ele não é o dinheiro, mas sim o valor que ele percebe.

Ele não conseguirá entender se você falar “filho, mas você está trocando um brinquedo que eu paguei R$ 200,00 por um que custa apenas R$ 10,00. Não faça isso.”

Pra ele o de R$ 10,00, que ele quer, vale muito mais naquele momento, entende?

E nem pense em ir lá comprar o brinquedo de R$ 10,00 igual ao que ele quer para que ele continue tendo o de R$ 200,00.

Deixe que ele troque e que ele sinta como é ficar sem o de R$ 200,00 e ter o de R$ 10,00.

Na vida, inevitavelmente, não conseguimos ter absolutamente tudo o que queremos.

Quase sempre precisamos abrir mão de alguma coisa para ter outra.

E seguindo o que comentei acima seus filhos já estarão aprendendo isso desde pequeno.

Faz sentido?

Então vamos em frente, para a segunda fase de desenvolvimento infantil.

Exercícios para crianças de 6 a 12 anos

Bom, a partir dos 6 anos seus filhos já estão com a maior parte da personalidade formada e já interiorizaram boa parte das crenças e valores que levarão pela vida toda.

Espero que você tenha tido cuidado e que tenha colocado, na maior parte, informações positivas e empoderadoras sobre o dinheiro e sobre outras questões importantes.

Aqui nessa etapa do desenvolvimento infantil as crianças já seguem regras e instruções, possuem uma boa capacidade de memorização e aprenderam a esperar sua vez e compartilhar coisas.

Copiam os comportamentos de adultos com bastante competência e começam a fazer críticas, apontando comportamentos que consideram diferentes do seu.

Crianças nessa idade gostam de ser desafiadas e começam a demonstrar indícios de independência.

Gostam de ser incluídas em decisões da família e de terem voz.

Sabendo disso, vamos aos exercícios sugeridos:

1. Estimular ideias empreendedoras

Sabe aqueles filmes de “sessão da tarde” nos quais as crianças montam uma barraquinha de limonada para conseguirem um dinheiro ou para ver quem vende mais?

Alfabetização Financeira: Como Ensinar Seus Filhos A Lidarem Com O Dinheiro 3

Saiba que muitas crianças, e talvez seja o caso dos seus filhos, querem colocar aquelas ideias em prática.

Montar uma barraquinha de limonada, criar uma revista, montar um clubinho, fazer pulseiras de elástico para vender para as amigas, etc.

São as sementes empreendedoras que começam a surgir na cabeça dos seus filhos e que devem ser amplamente incentivadas.

Por mais que você saiba que não vai dar certo, deixe que a criança tenha a experiência e tire a própria conclusão.

Isso fará, primeiro, com que ela se sinta capaz de seguir sua vontade; segundo, de saber que tem o apoio dos pais; terceiro, aumenta sua autoconfiança; quarto, sente a experiência do “fracasso” ou do “sucesso” num ambiente seguro e bem amparado; quinto, aprende a ser resiliente e buscar uma outra forma de fazer sua ideia dar certo.

E sabe de uma coisa? Pode ser que a ideia dos seus filhos dê tão certo que eles comecem a fazer dinheiro de verdade, podendo fazer milhões sem nem saber ao certo o que isso significa.

Por isso, incentive ideias empreendedoras dos seus filhos em ambientes supervisionados e seguros.

2. Crie dinâmicas para uso consciente do dinheiro

Aqui eu vou citar uma dinâmica muito específica que o pai da minha esposa fazia com ela quando iam fazer as compras do mês no mercado.

Alfabetização Financeira: Como Ensinar Seus Filhos A Lidarem Com O Dinheiro 4

Ele dava uma quantidade limitada de dinheiro para ela comprar o que quisesse e que fosse além dos alimentos comprados pra toda a família.

Em resumo, era pra comprar as porcarias (balas, biscoitos, chocolate, salgadinho, etc.).

Era aquilo que ela comprava que ela ia comer ao longo do mês, sendo que não poderia pedir qualquer “porcaria”, se as dela tivessem acabado, até voltar ao mercado novamente.

Uma ideia muito simples que foi capaz de gerar hábitos muito prósperos.

Ela aprendeu, muito jovem, a ter um orçamento e a saber lidar com ele. Aprendeu a controlar o dinheiro para comprar tudo o que queria. Aprendeu a esperar até o final do mês para poder fazer suas compras novamente.

E provavelmente muitas outras coisas que eu ainda não consegui identificar.

Tudo isso trazido para a idade adulta gera o que?

Uma habilidade muito boa de lidar com o dinheiro, que de fato ela tem hoje em dia.

Portanto, copie essa dinâmica que meu sogro usava ou crie outras formas de atribuir a responsabilidade por uma pequena quantidade de dinheiro aos seus filhos.

Permita que eles aprendam comportamentos tão importantes em um ambiente seguro e supervisionado, mas que os forneça uma dose balanceada de liberdade.

Para isso, te ofereço mais um exercício.

3. Dar mesada

Já estava pensando que eu não ia falar dela, não é?!

Não poderia deixar de falar da mesada, pois apesar de ser um tanto polêmica, considero um dos melhores instrumentos para ensinar bons hábitos financeiros aos seus filhos.

Digo que ela é polêmica porque divide muitas opiniões, principalmente quando se condiciona o recebimento da mesada à algum comportamento que os pais querem que os filhos tenham.

Eu sou partidário do reforço positivo, ou seja, jamais punir a criança ou descontar algo por ela não ter feito o que eu esperava, mas sempre parabenizá-la quando fizer o esperado.

Eu confesso que poderia escrever sobre mesada durante um longo período, no entanto, como não quero ser repetitivo, vou deixar aqui abaixo o link para um post COMPLETO que escrevi sobre mesada educativa, que vai realmente te fornecer tudo o que precisa para saber como introduzir essa dinâmica na vida dos seus filhos.

Basta clicar no link ao lado > Mesada Educativa

4. Ensinar seus filhos a administrar o dinheiro

Depois que você começou a praticar a mesada educativa com seus filhos, é hora de orientá-los como administrar esse dinheiro.

Se você acredita que não deve opinar em como eles devem usá-lo, leia o que vou escrever aqui abaixo para, pelo menos, poder perceber um outro ponto de vista.

Eu considero importante ensiná-los a administrar o dinheiro recebido da mesada porque isso vai formar a base para eles saberem gerenciar as quantias que forem capazes de produzir quando adultos, que provavelmente serão maiores.

Tendo essa base, tenho certeza que o dinheiro sempre será abundante e suficiente para eles viverem a vida como bem quiserem.

Isso porque a metodologia que vou te mostrar segue conceitos muito semelhantes ao que eu indico serem utilizados na administração de dinheiro por casais.

Eles te permitem usar o dinheiro para manter seu padrão de vida atual e ao mesmo tempo te dão liberdade para comprar/fazer tudo o que tem vontade no presente e ainda poupar para o futuro.

É o presente e o futuro sendo vividos em sua totalidade, exatamente como você esperava.

Mas vamos voltar e se concentrar nos seus filhos.

Caso queira saber mais sobre essa metodologia para casais é só clicar aqui e baixar o material gratuito que preparei para você.

A sugestão que eu dou para você orientar seus filhos é que eles criem 4 potes diferentes para a mesada que estão recebendo.

Um deles será nomeado como Desejos (DES), o outro como Diversão (DIV), o outro como Meu Desenvolvimento (MD) e o último como Doação (DOA).

Distribuição de dinheiro em potes como exercício para alfabetização financeira.
POTE Desejos (DES)

Do valor recebido com a mesada, 50% deve ser conduzido para Desejos (DES)

É esse pote que irá permitir que seus filhos poupem para comprarem coisas caras que apenas o valor de uma mesada não é suficiente.

Por exemplo, seu filho recebe R$ 100,00 de mesada por mês e quer comprar um hoverboard que custa R$ 800,00.

Terá que juntar os 50% (R$ 50,00 pelo exemplo) durante 16 meses para conseguir compra-lo.

Se você pensa que 16 meses é muito para ele, pode sugerir que seu filho se divirta menos e poupe mais. Ou pode aproveitar aniversário ou Natal para dar um dinheiro extra para ele.

O importante aqui é que ele consiga o que quer pelo esforço dele, sabendo que ele é capaz de se planejar, se esforçar e conquistar seu desejo.

POTE Diversão (DIV)

Para o pote Diversão (DIV) você pode orientar seus filhos a destinarem 35% do valor da mesada, e é esse pote que eles vão usar para se divertirem no dia-a-dia.

Ir ao cinema, comprar um doce, dormir na casa do amigo, sair comer uma pizza, etc.

São coisas que vão além do que você fornece à família.

É importante que eles realmente “torrem” o que estiver nesse pote para sentirem que o esforço para financiar seus desejos não os impedem de aproveitarem suas vidas.

Como se fosse a recompensa por estarem poupando.

POTE Meu Desenvolvimento (MD)

Nesse pote seus filhos devem colocar 10% do valor que recebem, sendo que esse montante deve ser usado para o aprendizado que vai além do que a escola proporciona.

Claro que você pode pensar que essa é sua responsabilidade enquanto pai ou mãe.

Sugiro que você deixe como responsabilidade dos seus filhos para que eles aprendam, desde cedo, a investir em si mesmos, pois isso será fundamental para eles serem pessoas de destaque quando for adulto.

Nesse pote você deve considerar gastos com livros, eventos que seus filhos se interessem em participar e tudo o que pode desenvolvê-los como pessoa ou estimular algum interesse específico que eles têm.

POTE Doação (DOA)

Por fim, para o pote DOA eu oriento eles colocarem 5% do valor da mesada para ajudarem o próximo.

Dar para quem eles quiserem sem esperar nada em troca, simplesmente para ajudar.

Isso permite que seus filhos comecem a enxergar além do próprio umbigo e a se interessarem em fazer o bem.

Se conseguir unir a doação financeira com algum trabalho voluntário essa solidariedade irá se desenvolver ainda mais rápido neles.

Considero importante ter esse pote, mas assim como o pote MD, indique para seus filhos apenas se fizer sentido para você.

O fundamental é que pelo menos o pote DES e DIV sejam mantidos.

Os valores que devem ser conduzidos para cada um são apenas sugestões, faça como você considerar melhor.

Se resolver orientar seu filho a ter apenas os potes DES e DIV, como eu sugiro você fazer se eles tiverem menos de 10 anos (facilita o entendimento), distribua 60% para DES e 40% para DIV.

5. Envolva-os em decisões financeiras da família

Quanto mais seus filhos crescem, mais se interessam em participar e em se sentirem parte da família.

Adoram que sejam solicitados a dar opinião e a decidirem coisas junto com os pais.

Sabendo disso, indico você incluir seus filhos em decisões financeiras da família, tais como viagens, compra de eletrônicos ou eletrodomésticos, troca de carro, mudanças, etc.

Permita que eles expressem suas opiniões e as considere em sua decisão.

Além de incluí-los nas decisões, atribua tarefas para eles desenvolverem e que tenham relação com o que foi decidido pela família.

Por exemplo, fazerem pesquisas de preço para o destino de férias da família.

Deixe claro as situações que sua opinião tem um peso maior (como trocar de carro), mas respeite o que eles têm para te falar.

Isso tudo aumenta a autoconfiança que eles possuem e também a proximidade que mantém com a família.

Essa dinâmica é especialmente importante quando eles se aproximam da adolescência e a família começa a ficar em segundo plano.

Dê a liberdade que eles precisam, mas faça eles saberem que em casa possuem um ambiente que os escuta e que os respeita.

Para crianças (adolescentes) acima de 12 anos

Bom, aqui elas já começam a migrar para a adolescência e o interesse principal são os amigos.

Ainda assim é importante que você continue o trabalho de educação financeira, pois é uma fase de muitas inseguranças e que pode desfazer parte do que vocês já construíram.

Para isso, continue incentivando as ideias empreendedoras dos seus filhos e os oriente a criarem formas de gerar renda com seus negócios.

Eles ainda estão em um ambiente seguro que permite “erros” e que os “erros” não geram consequências graves.

Continue dando mesada e agora convide-os a terem os 4 potes sugeridos anteriormente, o que vai aproximá-los da vida adulta.

Mantenha a participação deles em decisões financeiras da família e os inclua também na elaboração do orçamento familiar.

Se sua família ainda não faz isso, essa fase é um bom momento para começar junto com seus filhos.

Tenha em mente que nem sempre você terá suas expectativas atendidas nesse período de adolescência.

O importante é demonstrar apoio, entender o que seu filho quer e precisa, continuar abordando o dinheiro de uma forma positiva e harmoniosa e introduzindo hábitos financeiros saudáveis na vida dele.

Resumo

Então qual é o momento certo para iniciar a alfabetização financeira dos seus filhos?

Todos!

Não importa a idade, se é menina ou menino, o que importa é começar a educação financeira dos seus pimpolhos o quanto antes.

Qualquer coisa que você fizer de forma positiva é melhor do que fazer nada.

Utilize os exercícios e as dinâmicas que eu sugeri nesse post, que fazem sentido para você, e se beneficie de todas as habilidades que eles irão adquirir com isso.

Crie e experimente ainda mais possibilidades para que a vida financeira dos seus filhos seja altamente próspera, abundante, independente e livre.

Que o dinheiro seja uma ferramenta importante e que ele trabalhe para que as crianças possam viver tudo o que sonham.

E lembre-se, seja um ótimo exemplo para elas e por elas.

Vou encerrar esse post com uma frase que li uns dias atrás e que gostei muito. Infelizmente não lembro quem é o autor.

“Crianças constroem seus conhecimentos interagindo com o mundo em que vivem e seus pensamentos crescem partindo de ações, e não de palavras.”

E você, acredita ser possível aplicar alguns dos exercícios sugeridos na sua relação com seus filhos? Já aplica algo diferente do que comentei? Então deixe seu comentário abaixo.

Agradeço por ter chegado até aqui.