Uma coisa é fato, com 7 anos seus filhos já estão com a maior parte da personalidade deles formada e já interiorizaram boa parte das crenças e valores que vão levar pra vida toda.

Pelo menos é assim que muitos psicólogos acreditam, como é o caso de Freud (lê-se Fróid).

Ou seja, daqui pra frente seus filhos até podem adquirir novas formas de enxergar as coisas, mas a maior parte da energia vai ser direcionada pra solidificar dentro da cabeça deles o que absorveram de crenças e valores até os 7 anos.

Portanto, espero que você tenha cuidado e que tenha colocado informações positivas relacionadas ao dinheiro a à outras questões importantes…

Pois é isso o que ele vai levar pro resto da vida, seja consciente ou inconscientemente.

Mas voltando ao que interesse (desculpa essa escapadinha), vou compartilhar contigo aqui abaixo 5 exercícios pra você usar com seus filhos de 7 a 12 anos que vão fazer eles aprenderem a lidar MUITO bem com o dinheiro, o que vai ajudá-los principalmente quando forem adultos.

Então, se você tem filhos nessa faixa de idade e não sabe ao certo como ensinar eles a usar o dinheiro com responsabilidade (sim, criança precisa aprender sobre isso desde pequena), mas quer que eles não passem por problemas financeiros que talvez você passou, então leia esse post até o fim.

Agora, se você tem filhos de 0 a 6 anos (ou ainda não começou a educação financeira infantil deles), sugiro ler esse outro post antes desse que você está lendo agora.

Características de crianças de 7 a 12 anos

Antes de te expor os exercícios eu só quero dar uma pincelada rápida sobre algumas características de crianças dessa faixa de idade, pois isso vai te ajudar a entender as dinâmicas que vou propor.

E a primeira delas é que crianças entre 7 e 12 já sabem seguir regras e instruções…

Isso porque elas já possuem uma boa capacidade de memorização, o que facilita a introdução de estratégias como a mesada (vou falar sobre ela mais pra frente).

Além disso, seus filhos nessa faixa etária já sabem copiar o comportamento de adultos com bastante competência e, inclusive, começam a fazer críticas à comportamentos diferentes dos deles.

Esse fato só reforça a necessidade de você continuar sendo um excelente exemplo pros seus filhos, principalmente em questões financeiras.

Por fim, duas outras características marcantes dessa faixa de idade é que as crianças gostam de ser desafiadas e começam a demonstrar indícios de independência.

Agora, sabendo de tudo isso, vamos aos exercícios:

5 exercícios de educação financeira infantil pra crianças de 7 a 12 anos

1) Estimule ideias empreendedoras

Sabe aqueles filmes de “sessão da tarde” nos quais as crianças montam uma barraquinha de limonada pra conseguirem um dinheiro ou pra ver quem vende mais?

É isso!

Estimular ideias empreendedoras (mesmo que você não seja empreendedor(a)) é dar apoio aos seus filhos pra eles tirarem ideias do papel e colocarem em prática.

Pode ser montar uma barraquinha de limonada, criar uma revista, montar um clubinho, fazer skate de régua pra vender na escola, fazer pulseiras de elástico pra vender pras amigas…

Ou até fazer brigadeiros pra vender na escola (como minha sobrinha fez).

São as sementes empreendedoras que começam a surgir na cabeça dos seus filhos e que devem ser amplamente incentivadas.

Por mais que você saiba que não vai dar certo, deixe que a criança tenha a experiência e tire a própria conclusão.

Isso fará:

  1. com que ela se sinta capaz de seguir sua vontade;
  2. com que ela saiba que tem o apoio dos pais;
  3. com que aumente sua autoconfiança;
  4. ela sentir a experiência do “fracasso” ou do “sucesso” num ambiente seguro e bem amparado;
  5. ela aprender a ser resiliente e buscar uma outra forma de fazer sua ideia dar certo.

E quando der certo, pode ser que seus filhos façam alguns milhões de reais por ano como essas crianças.

Por isso, incentive ideias empreendedoras dos seus filhos em ambientes supervisionados e seguros.

2) Crie dinâmicas pra uso consciente do dinheiro

Aqui eu vou citar uma dinâmica muito específica que o pai da minha esposa fazia com ela quando iam fazer as compras do mês no mercado.

Não sei se ele sabia na época, mas a atitude dele contribuiu muito pra educação financeira infantil da Dani.

(Não é minha esposa aí em cima – acho que nem tinha foto colorida naquela época 😛 (faço essa brincadeira porque ela é mais velha que eu) – mas ela era loirinha igual essa menininha)

Ele dava R$ 50,00 pra ela comprar o que quisesse e que fosse além dos alimentos comprados pra toda a família.

Em resumo, era pra comprar as porcarias (balas, biscoitos, chocolate, salgadinho, etc.).

Era aquilo que ela comprava que ela ia comer ao longo do mês.

Se o que ela tinha comprado tivesse acabado antes do tempo ela tinha que esperar até voltar ao mercado pra poder comer suas “porcarias” de novo.

Uma ideia muito simples que foi capaz de gerar hábitos muito prósperos.

Ela aprendeu, muito jovem, a ter um orçamento e a saber lidar com ele.

Aprendeu a controlar o dinheiro pra comprar tudo o que queria.

Aprendeu a esperar até o final do mês pra poder fazer suas compras novamente.

E provavelmente muitas outras coisas que eu ainda não consegui identificar.

Tudo isso trazido pra a idade adulta gera o que?

Dinheiro? Claro…

Mas mais do que isso, gerou uma habilidade muito boa dela saber lidar com o dinheiro com tranquilidade, algo que ela tem até hoje.

Portanto, copie essa dinâmica que meu sogro usava ou crie outras formas de atribuir a responsabilidade por uma pequena quantidade de dinheiro aos seus filhos.

Permita que eles aprendam comportamentos tão importantes em um ambiente seguro e supervisionado, mas que os forneça uma dose balanceada de liberdade.

Pra isso, te ofereço mais um exercício.

3) Dê mesada

Eu acredito que esse período, entre 7 e 12 anos, é mais o indicado pra você inserir essa estratégia de educação financeira infantil e começar a dar mesada pros seus filhos.

Isso porque nessa fase eles já entendem bem a relação entre causa e efeito e já sabem esperar pra receber o dinheiro uma, duas ou quatro vezes por mês.

E eu indico você dar mesada porque assim seus filhos já vão ter que administrar o dinheiro deles desde pequenos.

Agora, pra que você saiba exatamente como dar mesada pro seu filho e fortalecer ainda mais a educação financeira infantil deles, eu sugiro você ler o post Mesada Educativa Na Prática: Passo-a-Passo Completo Pra Aplicar Com Seus Filhos.

Eu deixo ele aqui em outro link pra você só pra não repetir algo que já escrevi há algum tempo, ok?

Nele você vai encontrar todos os detalhes que precisa saber pra fazer com que a mesada seja realmente uma ferramenta fantástica na educação financeira dos seus filhos.

E mais, tem um outro post que escrevi e que também pode te ajudar nessa questão de mesada, que é o Mesada: 3 Dicas Pra Evitar Que Seus Filhos Torrem Ela Em “Besteiras”.

4) Ensine seus filhos a administrar o dinheiro

Pra mim, esse é um dos maiores ensinamentos que você pode passar pra eles.

Digo isso porque independente da idade de uma pessoa, mais importante do que a renda que ela tem é o que ela consegue fazer com o que ganha.

É algo que a maioria (mais de 97%) das pessoas não aprende e que separa pessoas financeiramente livres de pessoas escravas do dinheiro.

Por isso eu vejo esse exercício como tão importante de ser aplicado com seus filhos, pra que eles cresçam vendo isso como natural, independente de quanto dinheiro vão ter na mão pra administrar.

E a base pra eles começarem a organizar o dinheiro é a mesada ou o dinheiro que eles estiverem fazendo com seus empreendimentos (lembra do primeiro exercício?).

No começo, a sugestão que eu dou é que você oriente seus filhos pra eles criarem 2 potes diferentes pro dinheiro que estão recebendo.

Um deles será nomeado como Desejos (DES) e o outro como Diversão (DIV).

Divisão inicial dos potes, um dos exercícios de educação financeira infantil que vão ensinar as crianças a administrarem seu dinheiro.

POTE DESEJOS (DES)

Diga pra eles que do valor recebido 60% deve ser conduzido pro Desejos (DES)

É esse pote que vai permitir que seus filhos poupem pra comprarem coisas que eles querem e que apenas o valor de uma mesada ou de 1 mês de faturamento da negócio não é suficiente.

Por exemplo, seu filho recebe R$ 100,00 de mesada por mês e quer comprar um hoverboard que custa R$ 900,00.

Terá que juntar os 60% (R$ 60,00 pelo exemplo) durante 15 meses para conseguir comprar.

Se você pensa que 15 meses é muito, pode sugerir que seu filho se divirta menos e poupe mais.

Ou pode aproveitar aniversário ou Natal pra dar um dinheiro extra pra ele.

Ou, como sugeri pra minha sobrinha há alguns dias, que ela comece a oferecer alguns serviços em casa pra ganhar um dinheirinho…

Como por exemplo lavar o carro, fazer massagem, pintar as unhas da mãe, etc.

O importante aqui é que seus filhos consigam o que querem pelo próprio esforço, sabendo que são capazes de se planejar, se esforçar e conquistar seus desejos.

POTE DIVERSÃO (DIV)

Pro pote Diversão (DIV) você deve orientar que seus filhos coloquem 40% do dinheiro que receberem, e é esse pote que eles vão usar pra se divertirem no dia-a-dia.

Ir ao cinema, comprar um doce, dormir na casa do amigo, sair comer uma pizza, etc.

São coisas que vão além do que você fornece à família.

É importante que eles realmente “torrem” o que estiver nesse pote pra sentirem que o dinheiro está sendo usado e que o esforço pra financiar seus desejos não os impedem de aproveitar suas vidas.

Como se fosse a recompensa por estarem poupando.

Agora, caso seus filhos já administrem o dinheiro desse jeito há mais de 1 ano, você pode avançar e orientar eles a criarem 2 novos potes, ficando 4 no total e mudando um pouco a divisão.

Divisão final dos potes, um dos exercícios de educação financeira infantil que vão ensinar as crianças a administrarem seu dinheiro.

No pote DES agora ficam 50% ao invés de 60% e no DIV ficam 35% ao invés de 40%.

O que sobrar (15%) serão distribuídos entre os 2 novos potes.

POTE MEU DESENVOLVIMENTO (MD)

Nesse pote seus filhos devem colocar 10% do valor que recebem, sendo que esse montante deve ser usado pro aprendizado que vai além do que a escola proporciona.

Claro que você pode pensar que essa é sua responsabilidade enquanto pai ou mãe.

Sugiro que você deixe como responsabilidade dos seus filhos pra que eles aprendam, desde cedo, a investir em si mesmos, pois isso vai ser fundamental pra eles serem pessoas de destaque quando forem adultos.

Nesse pote você deve considerar gastos com livros, eventos que seus filhos se interessem em participar e tudo o que pode desenvolvê-los como pessoa ou estimular algum interesse específico que eles têm.

POTE DOAÇÃO (DOA)

Por fim, pro pote DOA você deve orientar eles a colocarem 5% do valor que recebem (mesada ou outra fonte) pra ajudarem o próximo.

Dar pra quem eles quiserem sem esperar nada em troca, simplesmente pra ajudar.

Pode ser pra um pedinte na rua, pra um projeto social, pra uma família que está precisando, não importa.

O que importa é que seus filhos comecem a enxergar além do próprio umbigo e a se interessarem em fazer o bem.

Se conseguir unir a doação financeira com algum trabalho voluntário essa solidariedade irá se desenvolver ainda mais rápido neles.

Exemplo prático

Pra mostrar pra você que não fico apenas na teoria, há alguns dias eu sentei com a minha sobrinha (que tem entre 7 e 12 anos) pra reforçar essa questão de administrar o dinheiro.

Atualmente os pais dela não dão mesada pra ela, mas ela gera dinheiro por meio das ideias empreendedoras que ela tem e pela ajuda que deu à minha esposa no ano passado.

Desde que recebeu seu primeiro dinheiro, sempre falamos (eu e minha esposa) pra ela anotar num caderninho tudo o que recebia e o que gastava.

Isso porque esse é o primeiro hábito pra enriquecer de verdade, e que vai fazer você conseguir cuidar do seu dinheiro sem precisar de ajuda.

Assim ela fez até que juntou R$ 687,40.

Ao longo dos meses ela já foi usando parte do que ganhava pra sair com as amigas e pra comprar algumas coisinhas que ela quis (Pote DIVERSÃO, lembra?), sendo que esse dinheiro todo (R$ 687,40) ela resolveu usar pra realizar um sonho…

De ir no show do BTS aqui no Brasil, se eles vierem pra cá esse ano (BTS não é um inseticida que nem o SBP, é um grupo coreano de pop).

Foi então que eu sentei com ela e nós fizemos um planejamento dessa viagem, pra ver se ela teria todo o dinheiro pra realizar esse sonho.

Levantamos custo de ingresso, de transporte, de hospedagem, de alimentação e descobrimos que tudo daria R$ 590,00 (jogando pra cima, com uma gordurinha pra queimar).

Então, o que sobrou (R$ 97,40) ficou resolvido que ela vai levar pra poder comprar alguma coisa do grupo e pra poder gastar do jeito que ela quiser (Pote DIV).

Passei 30 minutos com ela fazendo isso e os impactos podem ficar pra vida toda…

Aí, quando ela for adulta, vai saber planejar a compra de uma casa, uma viagem, um filho, um sonho que quer realizar.

Vai saber planejar o uso diário do seu dinheiro e vai ter grandes chances (mais de 70%) de ter uma vida financeira tranquila, independente da renda que vai ter lá na frente.

5) Envolva seus filhos em decisões financeiras da família

Quanto mais seus filhos crescem, mais se interessam em participar e em se sentirem parte da família.

Adoram que sejam solicitados a dar opinião e a decidirem coisas junto com os pais.

Sabendo disso, indico você incluir seus filhos em decisões financeiras da família, tais como viagens, compra de eletrônicos ou eletrodomésticos, troca de carro, mudanças, etc.

Permita que eles expressem suas opiniões e considere elas em sua decisão.

Além de incluí-los nas decisões, atribua tarefas pra eles desenvolverem e que tenham relação com o que foi decidido pela família.

Por exemplo, fazerem pesquisas de preço pro destino de férias da família.

Deixe claro as situações que sua opinião tem um peso maior (como trocar de carro), mas respeite o que eles têm pra te falar.

Isso tudo aumenta a autoconfiança que eles possuem e também a proximidade que mantém com a família.

Essa dinâmica é especialmente importante quando eles se aproximam da adolescência e a família começa a ficar em segundo plano.

Dê a liberdade que eles precisam, mas faça eles saberem que em casa possuem um ambiente que os escuta e que os respeita.

Conclusão

Por mais que a educação financeira infantil esteja começando a aparecer nas escolas brasileiras, não deixe de ensinar seus filhos sobre o dinheiro.

Você, enquanto mãe ou pai, tem uma importância enorme na formação deles.

Portanto, introduza esses exercícios que compartilhei contigo na rotina da sua casa e permita que eles cresçam tendo uma relação mais saudável com o dinheiro.

Não pra se tornarem gananciosos, mas pra se tornarem conscientes e saberem usar ele com equilíbrio.

E, talvez, até se tornarem milionários, por que não?!

Além disso, lembre-se sempre que você é o exemplo mais forte.

Use bem seu dinheiro e mostre pros seus filhos que você sabe lidar bem com ele.

Se ainda não sabe, diga às crianças que você está buscando formas de aprender e realmente vá atrás (isso pode te ajudar).

Dessa forma, não só seus filhos vão se beneficiar dessas dinâmicas, sua vida financeira também vai se tornar muito melhor.

Por fim, se você quiser ter o ebook gratuito que tem tudo o que comentei contigo nesse post, além de te exercícios pra crianças de 0 a 6 anos e pra mais de 12 anos, acesse esse link e baixe ele gratuitamente.

Agora me diga, qual foi o exercício que você mais gostou e que vai aplicar com seus filhos? Deixe sua resposta num comentário aqui abaixo.