Infelizmente a nossa cultura acaba por confundir, na maioria dos casos, o “ser mãe” com o “ser mulher”, pensando que são a mesma coisa, e que na verdade não são.

É como se a mulher sempre precisasse demonstrar doçura, tolerância, paciência, abnegação por qualquer pessoa e em qualquer situação, independente se é social ou profissional, apenas por ter sido confiado à ela o papel de mãe.

Quase como um conto de fadas ou uma das clássicas histórias de princesa da Disney.

Aquela mulher bela, recatada e do lar, sabe?!

Essa confusão faz com que as mulheres cresçam baseadas nessa identidade de “ser maternal”, como se mulher nascesse pra ser mãe e pronto, e acabam carregando isso pras suas profissões.

Então, quando precisam lidar com dinheiro e defender seu valor perante um cliente, uma empresa ou seu chefe, acabam por deixar falar mais alto o seu amor incondicional e altruísta, tornando difícil a cobrança por qualquer serviço que possam oferecer.

É por isso que geralmente vemos muitas mulheres fazendo trabalhos voluntários em hospitais, asilos, orfanatos – lugares que cuidam do bem-estar do outro – e poucos homens.

Por ter sido ressaltado durante séculos esse papel de mãe e ter sido esquecido o papel de mulher, gerando uma dificuldade enorme nessa relação com o dinheiro.

Agora, se você é mulher e o texto até aqui tá fazendo sentido pra você, então leia esse post até o fim.

Vou te apresentar as origens dessa confusão, os resultados que isso pode estar causando na sua vida e o que fazer a respeito pra começar a domar essa relação entre mulher e dinheiro e poder prosperar na sua vida financeira.

Se você é homem, então leia também pra você poder se colocar na pele das mulheres e entender um pouco melhor tudo o que elas passaram.

Então vamos lá…

As origens dessa identidade confusa

Antes da Revolução Industrial, que começou em 1760, a sociedade era, na sua maioria, agrícola.

As famílias viviam no campo e produziam quase tudo o que precisavam pra viver, sendo que geralmente a família toda trabalhava junto na terra.

Homem e mulher trabalhando na agricultura no Egito antigo, mostrando que naquela época a família trabalhava junto e a relação mulher e dinheiro era mais bem administrada.

Inclusive as mulheres, que quando não estavam na lavoura estavam fazendo artesanato, e não apenas dedicada à casa e aos filhos.

Foi com a chegada da Revolução Industrial que a identidade da mulher como mãe e “do lar” começou a se tornar mais forte e elas passaram a servir apenas pros afazeres domésticos.

A própria igreja católica reforçou isso num livro escrito em 1891 pelo Papa Leão XIII, chamado Rerum Novarum.

Veja só duas passagens desse livro que justificam o que escrevi até aqui.

É de ficar de boca aberta…

A primeira diz o seguinte:

“Certos tipos de trabalho não se adequam às mulheres, feitas por natureza para os trabalhos domésticos, os quais são uma proteção à honestidade do sexo fraco e têm natural correspondência com a educação dos filhos e com o bem-estar do lar.”

Difícil até de ler um negócio desse, não é?!

Eu sei, parece piada, mas não é.

Veja só o que mais esse Papa escreveu…

“Trabalhos há também que se não adaptam tanto à mulher, à qual a natureza (de novo essa natureza?) destina de preferência aos arranjos domésticos que, por outro lado, salvaguardam admiravelmente a honestidade do sexo, que correspondem melhor pela sua natureza, ao que pedem a boa educação dos filhos e a prosperidade da família.”

Além de confuso, esse trecho do Rerum Novarum reforça ainda mais a identidade da mulher como mãe e “do lar”.

É nesse período próximo a 1891 que, pela primeira vez, se tem consciência de que a industrialização, ao contrário da atividade agrícola ou artesanal, divide a família.

O que veio depois disso foi apenas o reforço dessa forma de pensar…

Até que as mulheres começaram a questionar e não mais aceitar essa segregação.

Começaram a perceber que elas podem continuar sendo mães durante uma fase da vida, caso queiram, mas que isso não elimina da sua identidade o fato de serem mulheres.

E como mulheres elas não precisam agir sempre baseadas na tolerância, no amor incondicional e na compreensão…

Elas podem (e você pode) ser tão racionais quanto os homens e defender seus interesses pessoais.

Podem ir pro mercado de trabalho, ganhar mais que os homens, aprenderem a lidar com o dinheiro e tantas outras coisas confiadas até então apenas pro sexo masculino.

E fazer com que essa relação entre mulher e dinheiro seja mais equilibrada e positiva.

Eu acredito que é essa transição que estamos vivendo hoje, de uma sociedade industrial pra uma pós-industrial…

De uma sociedade na qual a mulher era secundária, dedicada apenas aos filhos e ao lar, pra uma na qual ela é protagonista e também quer desenvolver seu “ser mulher” (e o homem vai ter que desenvolver seu “ser paternal”).

Mas ainda não atingimos a transformação completa e os resultados dessa segregação ainda podem ser vistos com muita frequência.

Resultados desse desequilíbrio

Como um dos resultados dessa identidade feminina confusa que foi criada ao longo dos séculos, é muito comum encontrar nas mulheres (talvez seja seu caso) uma grande dificuldade de cobrar pelos seus serviços

De definir o valor do seu trabalho.

Deixando, muitas vezes, que os homens digam quanto vocês valem.

No caso de autônomas e empreendedoras há, também, a dificuldade de fazer o cliente pagar o dinheiro devido.

“Ah, deixa pra lá esse dinheiro. Nem vou cobrar. Nem tomou muito do meu tempo mesmo.”

É mais ou menos assim, não é?!

Aí, quando a mulher consegue ter uma renda bacana isso acaba quase nem aparecendo, pois ela geralmente usa o dinheiro nas despesas domésticas e com coisas pra casa, e esquece-se muitas vezes dela mesma.

É um dinheiro que quase não se vê, mas que mantém tudo funcionando.

Já os homens quase sempre fazem o dinheiro brilhar. Compram um carro, uma casa, pagam a viagem da família e saem por aí “arrotando grosso”, como se só eles colocassem dinheiro em casa.

Se esquecem (homem é bom nisso) que sem a renda da sua esposa ele não teria conseguido comprar tudo isso o que comprou…

E isso faz a mulher continuar tendo um papel secundário, quase imperceptível na vida financeira da família.

E mais, essa confusão toda vai ferindo de maneira sútil a autoestima de cada mulher, tirando o poder e a voz das suas mãos.

Mas como resolver isso?

Mulher e dinheiro em harmonia

Considero que a primeira coisa que você deve começar a fazer é fortalecer sua mente e acreditar que você pode, sim, ser mãe e ser mulher, fazer quanto dinheiro quiser e usar ele com muita inteligência.

Pra isso, repita diariamente algumas frases empoderadoras como as que eu sugiro no post desse link.

Em paralelo à isso, aprenda a aumentar sua renda e a calcular o preço do seu serviço ou do que você vende.

Só assim você vai conseguir se valorizar o quanto merece.

Feito isso, com sua mente fortalecida e sabendo exatamente quanto vale, vá pro mercado sem medo de ser feliz.

Seja pra encontrar o emprego dos seus sonhos ou pra iniciar seu próprio negócio, vá com tudo e não aceite menos que aquilo que você quer.

Então, quando o dinheiro estiver entrando, parta pro próximo passo, que é acompanhar e controlar seu dinheiro.

Pra saber como fazer isso acesse o post desse link.

E quando tudo estiver caminhando bem pra você, parta pro último passo, que é envolver seu companheiro (se você tiver um) em toda essa transformação pra que sua identidade financeira seja reformulada também dentro do seu relacionamento.

Como a Laura Gutman diz em seu livro “Maternidade e o encontro com a própria sombra“, a administração do dinheiro não é algo pouco importante; pelo contrário, ele é o resultado direto dos nossos comportamentos na sociedade.

Portanto, como ela mesma cita no livro, “para sermos mães capazes de criar filhos em liberdade, apoiando seu crescimento emocional autônomo, precisamos, primeiro, nos transformar em mulheres maduras. O dinheiro pode se constituir em um bom mestre.”

Por fim, como última dica direcionada à pais e mães, se queremos que essa realidade feminina mude, então ensinem suas filhas desde pequenas que elas podem ser o que quiserem e que elas podem ter quando dinheiro desejarem.

Sejam o veículo de liberdade e empoderamento que elas precisam pra usarem todo seu potencial.

Conclusão

Não sou mulher e, por ser homem, eu me sinto um pouco responsável pelo sofrimento das mulheres.

Sei que não fui o Papa Leão XIII e que não contribui, lá no passado, por começar essa segregação.

No entanto, passei boa parte da minha vida calado, vendo tudo acontecer ao meu lado sem falar nada.

De uns anos pra cá, muito por influência da minha esposa, eu comecei a me dar conta de quão injusto é o mundo com as mulheres…

Principalmente quando pensamos em administração do dinheiro da família, que na maioria das famílias de hoje ainda continua na mão dos homens.

Foi então que eu resolvi não ficar mais calado e a direcionar meus post à você, mulher.

Pode consultar posts antigos e ver como minha escrita coloca você como prioridade, depois os homens.

É a minha forma de te ajudar, trazendo tudo o que eu sei pra fazer você assumir o controle do seu dinheiro.

Indo por essa linha, quero disponibilizar pra você que chegou até aqui 2 materiais que exclusivos:

1) um ebook pra te mostrar formas incríveis de administrar seu dinheiro e que vai te ajudar a fazer mais com o dinheiro que você ganha hoje, além de ensinar como fazer isso em casal;

Você pode baixar ele clicando aqui.

2) um ebook com mais de 10 estratégias pra você educar seus filhos financeiramente, com exercícios específicos do 0 aos 12 anos.

Você pode baixar ele clicando aqui.

Aproveite todo o conteúdo desses 2 materiais mais o que eu compartilho gratuitamente aqui no blog e comece a reescrever sua história financeira.

Se você começar hoje, daqui 6 meses eu tenho certeza que você será uma nova mulher.

Agora é com você, como você se enxerga em relação ao dinheiro, na condição de mãe ou de mulher? Deixe sua resposta nos comentários aqui embaixo.

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